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Testemunhos

Leia testemunhos de como outras pessoas lidaram com este problema.
Casos baseados em factos reais. Todos os dados pessoais foram alterados

para manter a confidencialidade.



“NÃO TENHO VONTADE DE IR ÀS AULAS,

TENHO DIFICULDADE EM CONCENTRAR-ME A ESTUDAR”


António, 19 anos
Estudante do 12º ano


Vivo em Tomar e os meus pais e professores sempre colocaram em mim a esperança de vir a estudar na Universidade.
Desde há três meses, tenho menos vontade de sair com os meus amigos e tenho menos vontade de falar em casa. Deixei de ir à natação, onde ia sempre com gosto e nunca faltava. Comecei a ter muito sono durante o dia, aumentei de peso e aumentei o apetite, sobretudo para doces e batatas fritas.
A minha namorada de há dois anos diz que “ando estranho”, com pouca energia e com pouca disposição para estar com ela.
Nos últimos três meses, quando saio à noite com os meus amigos, o que já faço muito raramente, costumo abusar do álcool, o que antes não fazia.


Por vezes chego mesmo a dizer à minha namorada que não tenho vontade de viver, e que não tenho grande esperança para mim próprio, mais ainda porque acho que nunca vou ser capaz de entrar para a Faculdade.
Se não fosse a minha namorada a marcar uma primeira consulta, à qual eu tive muita relutância em ir, nunca saberia que todos os meus comportamentos alterados e o meu sofrimento se deviam a uma depressão e que tinha possibilidade de me tratar e voltar a ser a pessoa que era.



“ANDO CANSADA E FALTA-ME PACIÊNCIA

PARA OS MEUS FILHOS E PARA O MEU MARIDO”


Susana de 35 anos.
É secretaria de administração.


Sou casada há 12 anos e tenho dois filhos de 10 e 8 anos.
Nos últimos 5 meses ando muito cansada. Todos os dias tenho grande dificuldade em levantar-me de manhã, com falta de energia e, à noite, só adormeço 4 horas depois me deitar.
Cada vez tenho mais a sensação de que me dão muito trabalho para fazer e que cada vez consigo menos “dar conta do recado”.
Passo todos os domingos preocupada, só de pensar no trabalho que me espera na segunda-feira.
Sempre fui muito diligente, perfeccionista e, actualmente, tenho dificuldade em concentrar-me no trabalho e já algumas vezes me esqueci de preparar reuniões importantes e, ao fim de tantos anos, fui chamada à atenção pelo meu superior por esse motivo.
Habitualmente sinto-me “nervosa”, com um aperto na garganta, não tenho apetite, tenho emagrecido. Quando estou na cama não consigo descansar, nunca tenho sossego na minha cabeça! Irrito-me muito com os meus filhos e com o meu marido e, ultimamente, tem havido discussões frequentes.
Já não sei se é o estado em que estou ou os problemas no trabalho, que mais contribuem para o meu mal-estar junto da minha família. Sinto que o meu casamento já está em risco e sinto-me culpada por não estar a ser uma boa mãe.
Tenho abusado de analgésicos, porque tenho tido dores de cabeça muito frequentes, que aumentam só de pensar que vou ter que ir trabalhar.
A tudo isto, ainda se soma a preocupação do meu marido estar em situação de emprego precário e eu não posso arriscar-me a perder o meu emprego, ao fim de tantos anos onde sempre fui uma boa secretária, devido ao meu estado de cansaço, falta de vontade e da dificuldade de concentração que tenho actualmente.
Sinto-me triste quase todos os dias e só “me apetece chorar e gritar”! Não vejo como é que poderei “sair deste buraco”.
Numa consulta de rotina ao médico de família decidi contar tudo o que se passava comigo e que não conseguia mais ir trabalhar. O médico de família disse-me que o que eu tinha era frequente acontecer com outras pessoas e que estava deprimida. Recomendou-me uma medicação que comecei a fazer e fiquei aliviada por saber que a minha situação tinha uma solução possível. Assim que tivesse mais vontade poderia recuperar a minha vida social… sair com amigas, ir ao cinema.



“NÃO VEJO FUTURO PARA MIM NEM PARA A MINHA FAMÍLIA”


Augusto, 55 anos
Empregado de mesa num restaurante


Ao longo do último ano, sinto-me cada vez mais triste e desmotivado para a vida, cada vez penso mais que não “vale a pena viver esta vida, devia conseguir acabar com este sofrimento”.
A minha mulher está desempregada. Era empregada doméstica e deixou de trabalhar há cinco meses porque a patroa deixou de ter dinheiro para lhe pagar. Ainda não conseguiu arranjar outro local para trabalhar.
O meu filho de 30 anos é vendedor de automóveis, vivia das comissões e por diminuição do salário foi obrigado a voltar para nossa casa, com a mulher e os dois filhos.
Já não tenho esperança no futuro, tenho pouco apetite, tenho emagrecido, durmo apenas quatro horas por noite. O futuro vai ser cada vez pior para mim e para a minha família. Vivo preocupado com a minha saúde física. Tenho dores no corpo, devo estar a ficar “velho“! Já não me sinto com capacidade para fazer frente às dificuldades da vida. Já não consigo rir nem ter prazer em estar com os meus amigos. Gostava muito do meu trabalho e de conviver com os clientes habituais do restaurante. Agora dizem que estou sempre com um ar triste, calado e com olheiras.
Não sei o que fazer!
Um dia um colega de trabalho veio ter comigo e aconselhou-me a consultar o médico psiquiatra do seu filho. Confessou-me que o seu filho já tinha estado numa situação igual à minha. Consultei o médico e iniciei o tratamento. Ao fim de algum tempo, apesar dos problemas económicos se manterem os mesmos, a capacidade de lidar com eles e a minha visão pessimista sobre a vida mudou radicalmente. Passei a ter gosto pela vida e quase não compreendo como cheguei a ter ideias de suicídio.



“JÁ VIVI O QUE TINHA A VIVER, AGORA JÁ NÃO VALE MAIS A PENA,

SINTO-ME TRISTE, CANSADA E SEM MEMÓRIA”


Emília, 69 anos
Reformada, depois de ter sido empregada bancária durante 35 anos.


Estou sozinha desde que o meu marido faleceu. O meu filho tem a sua vida no estrangeiro.
Reformei-me há quatro anos. Nos primeiros dois anos após a reforma sentia-me muito bem e aliviada por não trabalhar. Mas nos últimos dois anos, sinto-me “velha”, esquecida das coisas, acho que já não estou cá a fazer nada.
Não tenho prazer nas coisas, deixei de gostar de sair, de falar com as minhas amigas e já vejo pouca televisão.
Sinto-me só e inútil. Acho que estou a envelhecer depressa demais e estou a tornar-me “um fardo” para o meu filho.
Acordo todos os dias por volta das 4 ou 5 da manhã e já não consigo dormir mais. Todos os dias me parecem iguais, já nada tem interesse, há dias em que não faço a comida nem tomo banho, tudo é um sacrifício. Por vezes passo o dia todo na cama.
Não choro porque sinto que já nem tenho lágrimas.
Já tenho pensado em matar-me mas não tenho coragem. Morrer seria um alívio, já não estou cá a fazer nada.
Sinto uma sensação de peso na cabeça e um aperto no peito, uma angústia cá dentro. É um sofrimento muito grande, nada me interessa, sinto-me perdida”
Não sei se alguém me conseguirá ajudar.


Um dia quando fui à igreja, por coincidência, encontrei uma amiga de longa data. Contei-lhe a minha vida e ela disse-me que estava também reformada e que tinha passado por uma situação igual à minha. Ela procurou ajuda especializada e disse-me que tinha ficado bem. Disse-me também que não éramos nenhumas “velhas” e que depois de se ter sentido assim, recuperou completamente e até iniciou estudos na universidade da terceira idade.
Este encontro foi para mim uma “luz ao fundo do túnel”.
Decidi procurar ajuda, consegui voltar a ser a pessoa que era e agradeci por ter acontecido aquele feliz reencontro.

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